Aviso final — este livro não foi escrito para te deixar confortável. Se ainda queres continuar a fingir, fecha esta página.

Editora Omnia · Lisboa

Este livro dói.

Talvez seja o corte necessário. Não vais sair igual da última página.
Na verdade… talvez nem consigas chegar ao fim sem parar algumas vezes.

Há uma frase na página 14 que quase nenhuma leitora lê de uma vez. Vais reconhecê-la no segundo em que a vires.

Um pedaço do livro Eu Não Estou Bem

Não estás bem. Só ficaste boa demais a não dar trabalho.

Disseram que era força. Tu acreditaste.

Mas a força não devia custar-te o sono, a voz e o corpo. Nem a vontade simples de existir sem seres chamada a toda a hora.

Aprendeste a sorrir baixo. A responder "está tudo bem". A descansar com culpa. A desabar apenas quando ninguém estava a olhar.

Este livro não é um carinho. É uma verdade a olhar para ti: não nasceste para ser a armadura de toda a gente.

E é por isso que, na noite em que finalmente alguém te perguntou se estavas bem, tu—

Este pedaço acaba aqui. O capítulo não. Faltam catorze páginas só neste capítulo. A resposta para o que acontece no silêncio está a seguir.

Se fechares esta página agora, talvez amanhã a resposta seja a mesma de sempre: "está tudo bem". Dita com voz calma, enquanto por dentro sabes que não está.

E aquela frase que ficou por acabar lá em cima continua a fazer-te falta.